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terça-feira, 26 de janeiro de 2010

LIÇÃO 5 - TESOURO EM VASOS DE BARRO

Temos, porém, esse tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós (2 Co 4.7).

INTRODUÇÃO
Há algum tempo, quando ainda brincava com os colegas da vizinhança na terra dos caetés, onde morava, por ser o mais novo da turma, nas disputas e jogos eu era tão insignificante que não contavam comigo para não deixar frágil a equipe que eu participava, esse ato nobre de dar um membro a mais a equipe se chamava “colher de chá”[1] e o nome desse membro mais fraco era o “café com leite”[2]. Por que me lembrei disso? Vou tentar responder nessa lição.

Nessa quinta aula estudaremos o título em destaque e veremos o porquê de Deus depositar tesouros em vasos de barro, compreendendo e conscientizando-nos das nossas fragilidades como vaso, mas sabendo que, paradoxalmente, Deus nos usa para transmitir as Boas Novas e nos dá poder para cumprimos o ide de Jesus.

I – FABRICAÇÃO E ESCOLHA DO VASO
Tive o privilégio de ver de perto um oleiro fabricando vasos. Ele primeiro sai de sua casa com uma enxada nas costas a procura de um barro bom para o fabrico dos vasos. Após achar uma boa argila ele a recolhe e se dirige a sua oficina, coloca o barro ainda sem forma em uma roda. A que eu vi ainda era manual, pois ele fazia a roda girar pressionando uns pedais.

Com muita habilidade nas mãos ele começa a dar forma àquele barro e de início faz a base, depois cuida do interior do pote e depois de algum tempo naquela roda, ele cuida do exterior fazendo um bonito acabamento. Trabalho encerrado? Não. Está concluída apenas a primeira fase, pois a parte mais difícil é a fase que o pote é levado ao fogo.

Depois de aquecido o forno, os diversos vasos são colocados nele. Quem já observou o processo sabe que nem todos os vasos ficarão aptos para o uso, pois alguns poucos ficarão crus, outros no ponto, mais uma boa parte deles ficaram queimados, fazendo seu valor cair. Há ainda os que não aguentarão a intensidade do fogo fazendo o vaso rachar ou estourar, perdendo todo seu valor.

Na época em que Paulo escreveu a sua segunda carta aos coríntios, era comum guardar valores e tesouros em vasos (no grego ostrakinos) de barro cozido, material comum e frágil. Por isso ele comparou: “Temos, porém, esse tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós” (2 Co 4.7).

Mas qual o objetivo de Paulo ao nos comparar com esses vasos? Qual a real necessidade de o vaso ser moldado e ir para o fogo?

Ora, o vaso é moldado e cozido conforme as habilidades do Oleiro, e é Ele quem dá a forma e sabe qual é o uso que aquele vaso terá após o fabrico. O Oleiro não só sabe, como Ele mesmo é quem estabeleceu os seus desígnios para nós. A necessidade de todo processo é estarmos preparados para as intempéries da caminhada quando chegarem os dias maus.

Por isso vaso cru ou apenas chamuscado, não serve para um trabalho árduo, pois não aguentará o peso da obra.

Ressaltando que em recentes aulas do Pastor Antônio Gilberto em Alagoas[3], um de seus ensinamentos que me chamou a atenção, foi que nas diversas vezes que Deus exortou ao povo a andar no caminho certo, Ele afirma primeiro para não nos desviarmos para direita, depois para esquerda. Afirma o grande professor que o povo de Deus tem uma tendência maior a se desviar para o fanatismo do que para o liberalismo, ou seja, a maioria dos vasos recebe fogo demais, diminuindo seu valor ou até mesmo o perdendo.

Primeira grande lição, Deus nos afirma que a virtude está no meio, o vaso tem que ser cozido ao ponto, para suportar o peso da obra a qual ele foi destinado.

II – BATALHA ESPIRITUAL
Além do mais, ventilamos na terceira lição o paradoxo do ministério apostólico de Paulo e, mais uma vez, esse tema é abordado em seus ensinamentos (2 Co 4.8-9), até porque o sofrimento fez parte do seu chamado.

Durante a escolha de um vaso chamado Paulo de Tarso, o próprio Deus afirmou ao profeta Ananias: “Vai, porque este é para mim um vaso escolhido para levar o meu nome diante dos gentios, e dos reis, e dos filhos de Israel. E eu lhe mostrarei quanto deve padecer pelo meu nome” (At 9.15-16 – original sem negrito).

Quando Paulo entendeu que ele era um vaso escolhido por Deus e que todo vaso tem que passar pelo molde e pelo fogo, ele deixou um dos mais belos ensinamentos sobre o sofrimento dos justos, vejamos: “Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados; perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos” (2 Co 4.8-9).

Afirma James Hermano: “Paulo entendeu seu papel como vaso escolhido para levar esta luz tanto para judeus como para os gentios, mas ele também sabia do sofrimento que sua chamada exigia.”[4]

O que Paulo estava querendo dizer à igreja em Corinto com esse jogo de palavras? Finnis Jennings Dake faz a seguinte observação ao comentar esses versículos:
Quatro pares de expressões de sofrimentos: 1 Pressionados, mas não sufocados. 2 Estarrecidos, mas não totalmente frustrados. 3 Perseguidos, mas não capturados. 4 Enfraquecidos, mas não fora da peleja. Os dois primeiros referem-se a uma luta; o terceiro a uma corrida e o quarto, ao pugilismo (original sem itálico).[5]

No gancho desse estudo falei de minhas disputas na infância, exatamente nesse ponto é que ganha importância. Ora, uma disputa espiritual direta entre Deus e o diabo seria desigual, já que Deus é o Dono de todo poder.

Acredito que Deus resolve dar uma colher de chá a seu adversário e mostrar que pode vencê-lo usando um café com leite, usando o material mais comum, simples e frágil da terra: o barro.

Imaginemos o seguinte: inicia-se uma luta, de um lado um adversário que tem um sistema corrompido e dominado por ele e um forte poder de cegar os entendimentos (2 Co 4. 4). Por ter certa força, ganhou diversas alcunhas, entre as mais aterrorizantes: leão que ruge, serpente e dragão. No seu currículo vasto: algumas vitórias sobre homens que se renderam aos seus pés, mas também muitas derrotas.

Do outro lado um frágil vaso feito de barro, mas treinado por um Grande Oleiro. No 1º round, o leão que ruge parte com tudo para cima, oprime e pressiona o pequeno vaso ao ponto de desanimá-lo e deixá-lo estarrecido com a violência dos seus fortes ataques.

O ataque continua e nessa investida com uma chave de braço, quando o pequeno vaso está prestes a sucumbir o Oleiro pede tempo e dá ao vaso uma espécie de líquido, imediatamente o vaso se reanima e parte para o 2º round.

O round é em outra modalidade, uma espécie de corrida, mais uma vez o adversário sai na dianteira com toda força agora no ímpeto de um dragão, mas o pequeno vaso se recupera e toma a liderança, ao vê-lo na liderança o dragão usar todas as forças de suas garras e começa a perseguir o vaso, todavia mais uma vez, o vaso é fortalecido por um líquido que é depositado em seu interior e termina o 2º round na dianteira.

O adversário não se dá por vencido e volta para uma modalidade semelhante a do 1º round, o pugilismo, no round final, o adversário com o ímpeto de serpente, parte com fortes cruzados nos pontos fragilizados do vaso, chegando inclusive a enfraquecê-lo, desnorteá-lo e abater a sua confiança na vitória.

Mas quando pela terceira vez, o perigoso adversário ao ver o vaso rachado devido aos ataques, pensa que ele vai jogar a toalha branca, uma vez que está prestes a levar o golpe fatal… mas de novo o Oleiro entra no ringue e pede tempo técnico, desta vez não só enche o pequeno vaso de um líquido precioso, mas enche-o até transbordar, o pequeno vaso se levanta e brada: “a luta ainda não acabou”. O vaso cheio de ousadia invade o espaço da serpente, levando à lona, a amarra e sai vitorioso da batalha. Como troféu ainda ganha preciosos bens.

Gritam da platéia: “Por que o Poderoso Oleiro não lutou pessoalmente com seu adversário?”. Ao passo que o Oleiro responde: “porque ainda tem vasos de barro para usar na terra!”.

Continua: “Além do mais, vou explicar o segredo da vitória, o vaso realmente é frágil, mas Eu o moldo com Minhas próprias mãos e o faço passar pelo fogo para que ele suporte carregar um preciso tesouro dentro de si, que é a arma secreta da peleja. Não é pela força nem por violência, mas pelo meu Espírito”.
Paulo conheceu aflições que pressionavam-no de todos os lados, porém nunca foi cercado ao ponto de ser esmagado. Encontrou-se em circunstâncias desnorteantes, mas nunca chegou ao ponto de se desesperar. Seus inimigos haviam seguido seus passos, mas Deus nunca deixou cair em suas garras. Abateram até o chão, porém foram impedidos de dar o golpe fatal![6]

Amados, entendem porque Paulo já tinha afirmado: “Pois eu assim corro, não como a coisa incerta; assim combato, não como batendo no ar. Antes, subjugo o meu corpo e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado” (1 Co 9.26-27).

Vale citar a mesma referência na NTLH: “Por isso corro direto para a linha final. Também sou como um lutador de boxe que não perde nenhum golpe. Eu trato o meu corpo duramente e o obrigo a ser completamente controlado para que, depois de ter chamado outros para entrarem na luta, eu mesmo não venha a ser eliminado dela”. Aleluia!

III - POR QUE TESOUROS EM VASOS DE BARRO?
Ao meditar o porquê de Deus resolver depositar tesouros preciosos em simples vasos de barro e qual é o real propósito disso, cheguei a sete razões:

1. Explicitar que Ele usa quem quer e tem uma predileção pelos pequenos vasos (pessoas mais simples), para surpreender aquelas pessoas que se julgam sábias em si mesmas.

2. Mostra seu poder inigualável, vencendo as pelejas usando o material mais comum e simples da terra.

3. Demonstrar a necessidade de passarmos pelo fogo (leia provações), para fortalecer-nos para uma grande obra vindoura.

4. Para não esquecermos as nossas origens, pois somos pó e ao pó voltaremos. “Perdemos nossas fraquezas somente quando as descobrimos” J. Charles Stern.

5. Demonstrar que o Espírito Santo habitar nos simples cristãos. Disse Billy Graham: “Se nós compreendêssemos que o próprio Deus, na pessoa do Espírito Santo, realmente mora em nossos corpos, teríamos mais cuidado com o que comemos, bebemos, olhamos ou lemos”.

6. Provar que Deus pode vencer seu maior adversário usando o mais frágil objeto e, consequentemente, que o mais frágil vaso pode vencer o seu mais forte adversário se tiver tesouros em seu interior.

7. Para que fique claro que o poder supremo é de Deus e não do vaso. Disse um grande reformador chamado John Owen: “não teremos nenhum poder de Deus, a não ser que sejamos convencidos de que não temos nenhum poder em nós mesmos.”

CONCLUSÃO
As labutas cotidianas de um ministério excelente são árduas. Sulcam nossa pele tirando a viscosidade e trazendo rugas, o que resta de cabelos perde a cor e se tornam quebradiços, às vezes a saúde física e psíquica é atingida.

Mas o próprio Deus através de Paulo nos anima: “Por isso, não desfalecemos; mas, ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova de dia em dia” (2 Co 4.16).

Ele está dizendo que se devido às lutas, mesmo que o vaso esteja velho, rachado e todo arruinado, não devemos desanimar, porque dentro desse vaso há um tesouro espiritual que renova nossas forças todo dia.

Diz ainda no versículo seguinte, que as lutas, provas e tribulações são “leves e momentâneas”, mas elas produzem uma glória eterna e excelente, muito maior que o sofrimento que passamos.

Se Paulo afirmou que toda tribulação que passou foi leve, quem somos nós para dizer que a nossa é pesada? Tudo depende da ótica, o que é pesadíssimo para nós, tornar-se-á como uma pena se colocarmos nossas tribulações nas mãos do Oleiro, como Paulo fez.

Finaliza o capítulo distinguido as coisas materiais das espirituais, por mais sofrimento que o vaso esteja passando, haja vista que ele é físico e, consequentemente, temporal (tem início, meio e fim).

Nas nossas lutas, mesmo sendo vasos frágeis, temos no nosso time o Oleiro nos orientando como superá-las, além de o próprio tempo dá cabo delas. Amados, lembre-se que Paulo afirma: “porque as [coisas] que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas” (2 Co 4.18). Amém.
Felipe Campos


NOTAS:


[1] Etimologicamente a expressão era utilizada para dar ao adversário algo para fortalecê-lo e equilibrar a disputa, uma vez que na época da popularização da expressão o chá era usado como remédio.
[2] Essa expressão é usada para denominar aquela pessoa que está abaixo do nível dos demais competidores, uma vez que o leite no café reduz seu gosto forte. Café com leite é uma pessoa fraca em disputas, no nosso contexto, um vaso de barro.
[3] Em 28.10.2009 na 86ª Escola Bíblica de Obreiros em Maceió-AL.
[4] COMENTÁRIO BÍBLICO PENTECOSTAL. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, p.1091.
[5] BÍBLIA DE ESTUDO DAKE (ARC). Rio de Janeiro: CPAD, 2009, p.1856.
[6] COMENTÁRIO BÍBLICO PENTECOSTAL. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, p.1091

2 comentários:

  1. sergio holanda30/01/10 19:03

    Pra mim é uma honra e um privilégio poder desfrutar da sua amizade careca, que o Senhor continue te usando para abençoar as nossas vidas com palavras e ensinamentos tão cheios de vida, unção e inspiração divina.

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  2. O privilégio é todo meu irmão Sérgio Holanda. Você é um amigo mais chegado que irmão e em breve será um dos cabeção da AD e olhe que não estou exagerando ao dizer CABEÇÃO!
    Paz do Senhor!

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